Por falta de oxigênio, mulher é mantida em ambulância por três horas


A madrugada foi tensa na Santa Casa por falta de estrutura para suprir a demanda.


Cilindros de oxigênio vazios, pacientes esperando por atendimento e internação, vítimas de Covid-19 em ambulância por até 3 horas e a transferência de um suposto “médico” para a UPA, pela necessidade urgente de ser colocado no oxigênio – foram cenas que marcaram as últimas horas de equipes médicas sob pressão na Santa Casa de Tupã.


Do outro lado da cidade, equipes correndo para atender os vários casos de suspeitos de Covid e diagnóstico positivo para a doença – misturados a pessoas que também buscavam atendimento médico para outras enfermidades. Uma delas, já aguardava havia quatro horas. A noite chegou e o drama aumentou.


DIÁLOGO PREOCUPANTE

De repente, uma das médicas que atendia na UPA recebe uma ligação através de seu relógio smartwatch – que possui conectividade Bluetooth e é capaz de até mesmo realizar ligações telefônicas diretamente do seu pulso.


A interlocutora diz ter recebido um telefonema da Santa Casa e que por falta de oxigênio o hospital iria parar o atendimento e que os pacientes deveriam ser alocados ou permanecer na UPA.


Neste momento estabeleceu-se uma convenção. Foi conversado entre a equipe da UPA em quais salas deveriam permanecer os casos confirmados de Covid e, até a sala de triagem deveria ser utilizada para acomodar a situação.


Concomitantemente a todo esse volume de informação, uma preocupação: um paciente que estava na Santa Casa e que foi encaminhado para a UPA deveria ter “preferência” pela gravidade do avanço da doença. O paciente era um homem, cuja a testemunha que não quis se identificar acreditava que poderia ser talvez um médico ou alguém conhecido da equipe.


De acordo com a testemunha, o suposto “médico” ou conhecido da equipe médica foi atendido e encaminhado possivelmente para uma máscara de oxigênio.


Enquanto isso, as cenas trágicas vistas em Manaus em hospitais sofrendo com o colapso provocado pela falta de oxigênio para pacientes internados com Covid-19 e de pacientes sendo mantidos em ambulância – também estariam ocorrendo em Tupã. A diferença está no fato de aceitar ou não.


O que não pode é omitir a verdadeira situação enfrentada pelo município, sobretudo, depois de uma briga interminável na Justiça para manter as atividades econômicas em funcionamento, a despeito das medidas preventivas pleiteadas pelo Ministério Público.

Tampar o sol com a peneira é o mesmo que tentar respirar sem oxigênio. A madrugada desta quarta-feira, dia 12, foi tensa nos corredores da Santa Casa de Tupã. Mas o drama de quem precisa de oxigênio foi ainda maior.


DESESPERO

Quatro pacientes que estavam na UPA – Unidade de Pronto Atendimento desde o domingo foram informados ontem por volta de meio dia, que seriam encaminhados para o hospital, entre eles, três mulheres e um homem diagnosticados com coronavírus. Entre os pacientes, uma mulher de Iacri. O marido dela já estava sob tratamento médico.


Foi neste momento que surgiu a preocupante informação: faltava oxigênio ou não havia disponibilidade de oxigênio para atender a todos naquele momento. A paciente da ambulância ficou no veículo por três horas até surgir uma solução para mantê-la em condições de aguardar o encaminhamento para o isolamento. Isso só foi resolvido depois que a vítima passou a dividir o mesmo “bico” de oxigênio que o marido usava – ambos sentados em cadeiras.


Como o problema não havia sido solucionado até o começo da noite, optou-se por impedir a transferência de mais pacientes com Covid para a Santa Casa e que os mesmos deveriam permanecer na UPA, fato este ratificado pela ligação urgente de uma das médicas da linha de frente no enfrentamento ao coronavírus.


Tanto é verdade, que o casal só foi levado definitivamente para o isolamento nesta madrugada de quarta-feira. Os demais pacientes seguem aguardando uma definição. Uma das famílias foi informada que a paciente vai ter que esperar surgir uma vaga da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS).


A família questiona agora o fato de que a vaga já havia sido garantida ontem, por volta de meio dia, mas que outras pessoas passaram à frente. O conflito é grande. Entre as vítimas de coronavírus que aguarda esse posicionamento há quase três dias está uma pessoa que perdeu um parente para a doença e outro está intubado.