Passageiro de ônibus que tombou e matou trabalhador diz que veículo estava em alta velocidade

Mecânico que estava entre os 40 feridos do acidente em Lençóis Paulista (SP) diz que veículo trafegava em alta velocidade desde o início da viagem, em Bauru; homem de 47 anos morreu no local do acidente.

O mecânico Paulo Ricardo da Silva, que era um dos 41 passageiros do ônibus que fazia o transporte dos funcionários de uma empresa de celulose e tombou na manhã desta segunda-feira (4), em Lençóis Paulista (SP), afirmou que o veículo trafegava em alta velocidade até sofrer o acidente. Um trabalhador de 47 anos morreu.


Para o mecânico, desde o início da viagem, em Bauru, cidade a 45 quilômetros de Lençóis Paulista, o motorista já vinha dirigindo com “excesso de imprudência”, especialmente com relação a um suposto excesso de velocidade. Em uma curva da Rodovia Juliano Lorenzetti, perto da empresa de celulose, o veículo tombou. “Quando ele saiu de Bauru já vinha com excesso de velocidade, fazendo curvas muito rápido. Como eu estava perto do motor, percebi que ele nem conseguia passar as marchas direito. Quando chegou na curva, ele foi fazer com muita velocidade, o ônibus começou a tombar, ele tentou segurar, mas não conseguiu”, descreveu o mecânico à TV TEM.


Segundo as equipes de resgate, o ônibus transportava 41 trabalhadores e, além do funcionário que morreu, outro passageiro, de 23 anos, foi socorrido com ferimentos graves, uma fratura exposta no braço, com risco de amputação.


Os feridos foram levados para Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Lençóis Paulista, sendo que 18 deles apresentavam algum tipo de fratura, com diversos níveis de gravidade.


Paulo Ricardo Silva falou ainda do desespero dos trabalhadores para deixar o veículo tombado e tentar salvar o colega que acabou morrendo.


“Eu não me feri muito porque estava do lado do motor e só machuquei o ombro, mas o que estava na minha frente ficou com a poltrona em cima do braço e da perna, e a outra perna foi para fora do ônibus. Ainda tentamos levantar o ônibus pra retirar ele, mas a perna já estava dilacerada e ele veio a óbito”, disse Silva.


Segundo o mecânico, o motorista ainda teria tentado “pegar os cartõezinhos” do tacógrafo, o aparelho que registra a velocidade do ônibus, antes de fugir do local do acidente sem ajudar no socorro às vítimas.


Testemunhas confirmaram que o motorista deixou o local do acidente antes da chegada de equipes de socorro e da Polícia Militar. Ele se apresentou na delegacia em Lençóis Paulista, no fim da manhã, e prestou depoimento. A polícia investiga se ele retirou o tacógrafo do veículo após o acidente.


A perícia esteve no local durante a manhã e, durante a vistoria no veículo, o tacógrafo, que é o equipamento que registra a velocidade e outras informações importantes do trajeto, tinha sido retirado.


A reportagem da TV Tem tentou falar com motorista na delegacia, mas ele não quis gravar entrevista. No entanto, ele confirmou à reportagem que retirou o tacógrafo do veículo.


A informação também foi citada por uma das vítimas, mas agora será apurada pela polícia, já que o equipamento foi entregue pelo próprio motorista quando ele se apresentou na delegacia.


Para a polícia, ele disse que saiu do local do acidente por medo de ser agredido. Ele disse também que alguns passageiros começaram a ficar agressivos com ele.


Ainda conforme relato do motorista à polícia, também houve falha nos freios do veículo e por isso ele teria perdido o controle do ônibus na curva. O ônibus ainda será retirado do local do acidente e levado para uma perícia que será realizada em Bauru.


O ônibus saiu de Bauru, onde os trabalhadores que são de uma empresa terceirizada estão hospedados para levá-los até a Bracell, onde eles prestam serviço em um dos projetos da multinacional.

Saiba mais em https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2021/10/05/passageiro-de-onibus-que-tombou-e-matou-trabalhador-diz-que-veiculo-estava-em-alta-velocidade-ja-vinha-rapido-nas-curvas.ghtml