'Me senti ofendida como mulher', diz prefeita do interior de SP que registrou boletim de ocorrência


Um comentário machista nas redes sociais que teve como alvo a prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (Patriota), virou caso de polícia. Suéllen, que é a primeira mulher a se tornar prefeita da cidade, registrou um boletim de ocorrência após ter sido xingada de "biscate" em uma postagem no Facebook.


O perfil do internauta, que já foi identificado pela polícia, fez um comentário em uma postagem da prefeita que parabenizava o Noroeste, clube de futebol da cidade, campeão no último domingo (22) da Série A3 do Campeonato Paulista.

De acordo com a prefeita, as divergências sempre fizeram parte da sua vida política, sobretudo após se tornar chefe do Executivo do município. No entanto, os comentários assumiram um lugar de agressão e, por isso, devem ser caracterizados como tal, mesmo em um ambiente como a internet.


"Nas minhas redes, tem muita gente que comenta eventualmente algumas críticas. Mas não foi só uma divergência. Do jeito que foi, dessa forma e como mulher, eu não tinha nem como admitir. Não foi só uma divergência com a prefeita, com a política, me senti ofendida como mulher", conta Suéllen.

Na postagem que fez para informar que havia registrado o boletim de ocorrência, a prefeita afirmou que a "internet não é uma terra sem lei".


O xingamento, que foi registrado no BO como injúria, calúnia e difamação, permaneceu nos comentários da postagem por cerca de dez horas, até ter ser apagado pelo agressor, que, segundo a prefeita, já havia se colocado como opositor na política, mas nunca com ofensas dessa natureza.


"É uma pessoa que já comentava politicamente contra. Quando é político, você releva, porque é normal a divergência, as pessoas têm o direito de se expressar, de não gostar, de se opor. Mas, desta vez, partiu para agressão verbal contra a minha pessoa em um nível bem desrespeitoso", comenta Suéllen.

O envio de mensagens abusivas por apps de bate-papo ou por redes sociais pode ser responsabilizado tanto na esfera criminal quanto na cível. Em uma esfera, as penalidades são financeiras, como o pagamento de indenização; na outra, a pena pode envolver prisão. A prefeita, após registrar o boletim de ocorrência na polícia, pretende agora acionar o agressor também na Justiça.


"O perfil já foi identificado, é um perfil bem aberto, não é fake. Ele apagou o comentário depois que viu que foi lido, mas eu já havia feito print", explica.


Dependendo do teor, mensagens ofensivas na internet podem configurar diferentes crimes, desde calúnia, difamação ou injúria até preconceito racial e ameaça.

Alvo de ofensas

E essa não é a primeira vez que a prefeita de Bauru é alvo de ofensas na internet. Antes mesmo de ter sido eleita em novembro de 2020, Suéllen recebeu ofensas racistas e também ameaças de morte. No caso das ofensas racistas, o autor foi identificado logo depois.

O suspeito, um homem negro, informou que queria despertar uma discussão sobre "racismo velado". O homem de 37 anos, morador de Bauru, foi liberado depois de prestar depoimento, no final de 2020, e responde pelo crime de injúria racial.


O novo desabafo da prefeita, que veio, a princípio, por redes sociais e, depois, materializado na denúncia feita na polícia, segundo ela, é uma forma de defender outras mulheres que também possam ter se sentido ofendidas com a publicação.


"A lei já nos ampara quando as coisas ultrapassam todos os limites. Foi desrespeitoso como mulher. Imagina todas as outras que leem esse tipo de comentário. Ninguém gosta de ser colocada em um lugar que não te pertence", desabafa a prefeita.


Fonte: g1 Bauru e Marília