In Memorian: Shimithi Nakata, cirurgião dentista conceituado, condecorado e querido


Caçula de nove filhos dos imigrantes japoneses Kitinoske Nakata e Soono, Shimithi tinha 9 anos quando a família mudou-se de Pompeia para Tupã e inaugurou o Bazar Brasil, em 1943.


Na pré-adolescência, ele passou a ajudar os pais e os irmãos nos afazeres do bazar, que por décadas funcionou na esquina da Avenida Tamoios com a Rua Carijós. Por ser, desde muito jovem, centrado e perseverante, atributos marcantes da cultura japonesa, Shimithi Nakata soube administrar dedicação simultânea ao trabalho e ao estudo no ensino regular.


Ingressou na Faculdade de Odontologia de Lins em 1954. Formou-se em 1957, aos 23 anos. No ano seguinte, já atendia no seu próprio consultório, em Tupã. Na ocasião também clinicava em Juliânia, distrito de Herculândia, e na Vila Queiroz, que era distrito de Pompeia e em 1965 foi elevada a município, denominado Queiroz.


Para atuar nessas localidades, viajava a bordo de um Jeep e, sob sol ou chuva, desafiava estrada de terra, ora tomada por areão, ora por lama e poças d’água. Nessas jornadas corriqueiras, contava com a companhia do amigo e também recém-formado colega de profissão, Rubem Bernardi (in memorian).


Shimithi Nakata dedicou-se à odontologia por 55 anos, até 2013. Ao longo de sua carreira, notabilizou-se como um dos mais conceituados e requisitados cirurgiões dentistas de Tupã e região. Mérito profissional que teve sumo reconhecimento em 2008, quando recebeu a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pelo Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) aos profissionais com atuação destacada na área.


Sua liderança converteu-se em legado que contribuiu decisivamente para o atendimento das demandas dos cirurgiões dentistas em níveis local e regional. Foi fundador da Associação dos Cirurgiões Dentistas de Tupã e da sede regional da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), que presidiu em 1965.


Despontou-se ainda como produtor rural, na gestão da Fazenda Santa Paula, que adquiriu na década de 1970 e está situada no bairro São Benedito, às margens da vicinal que interliga Tupã e Arco-Íris. Com predisposição para ajudar o próximo, proporcionou oportunidades a todos os caseiros que trabalharam na propriedade. Aqueles que souberam aproveitar tal apoio, investiram em negócio próprio, progrediram socialmente e puderam oferecer às suas famílias uma vida ainda mais digna. Esses ex-caseiros até hoje lhes são muito gratos.


Seus hobbies foram pescarias periódicas com amigos e caminhadas na fazenda todo fim de tarde – atividades que manteve até quando a saúde lhe permitiu.


Entre seus programas diletos figuravam almoços ou jantares em família nos finais de semana, quermesses, Semana da Solidariedade, Nippon Fest de Tupã e Festa do Ovo de Bastos, também acompanhado por familiares.


Aos domingos, não perdia a feira da Rua Aimorés, enquanto teve saúde, nem as partidas de futebol transmitidas pela TV. E o time para o qual torcia sempre foi o que jogava mais bonito.


Casou-se em 1961 com a professora e sua querida Maria São Paulo, carinhosamente conhecida como Mery, e no âmbito familiar foi igualmente exemplar.


Trecho do discurso do cirurgião dentista Shimithi Nakata Filho, logo após o sepultamento de seu pai, traduz com fidelidade o quanto Shimithi Nakata era querido pela família. “Nosso pai nunca nos deixou faltar nada, nos proveu de tudo, notadamente de amor. É um modelo absoluto a ser seguido”, sentenciou.


Polidez e idoneidade também estavam entre os seus mais significativos atributos, invariavelmente ressaltados por todos que o conheciam.


Fonte: https://www.guiatupa.com.br/