Guerra na Ucrânia afeta exportação de amendoim no centro-oeste paulista


A guerra no leste europeu entre Rússia e Ucrânia provoca reflexos na economia da região de Bauru (SP), que exporta amendoim para locais que estão com portos fechados devido ao conflito. Já há dezenas de contêineres com a mercadoria parados, à espera dos desdobramentos da guerra.


Isso afeta a produção de amendoim no centro-oeste paulista, que atingiu a marca de 271 mil toneladas no ano passado.

Só em Tupã (SP), uma das principais cidades produtoras do estado de São Paulo, o grão foi responsável por quase 90% do faturamento da cidade com as exportações.


Segundo o CEO de indústria, Pablo David Rivera, em entrevista à TV TEM, já são cerca de 130 contêineres com destino aos dois países envolvidos na guerra parados.

"Hoje estamos com quase 100 contêineres indo para a Rússia. Estamos com 30 contêineres parados em Istambul [Turquia], que o destino é a Ucrânia", diz Rivera.

Por conta dos portos usados para escoamento da mercadoria a esses países fechados, contratos foram cancelados e o pagamento do que já foi negociado também não foi garantido por causa das sanções econômicas à Rússia.

“Para você ter uma ideia, em cinco anos aumentamos 67% as exportações no Brasil. Em cinco anos para a Rússia aumentamos 100% e para a Ucrânia quase 1.000%. Então, o problema é muito grande para nós”, comenta.


Além do prejuízo nas exportações, já existe previsão na desvalorização da saca de amendoim.


O mercado do grão passava por um bom momento em 2020, já que o preço médio de uma saca de 25 quilos era pouco mais de R$ 84. Em 2021, passava de R$ 96.


Porém, em 2022, a saca varia de R$ 65 a R$ 70, queda explicada pela alta nos custos de produção e pela maior oferta do grão.


À TV TEM, o produtor rural Eder Brandão disse que já colhe o amendoim nas lavouras e prevê uma queda de 15% no volume da produção, isso, segundo ele, por conta da falta de chuva.


Na plantação, o que mais o preocupa é o equilíbrio do quanto se gasta para produzir e o valor final que se paga pelo produto.


Fonte: G1 Bauru e Marília