Filhas lamentam morte de taxista vítima de latrocínio aos 77 anos: 'meu pai não merecia


"Meu pai não merecia. Meu pai era um excelente homem, um excelente pai. Sem palavras", disse Lucivane de Almeida Pereira Carreira, filha de José de Almeida Pereira, taxista de 77 anos, que foi encontrado enterrado em Marabá Paulista (SP), após ter sido vítima de latrocínio, que é o crime de roubo seguido de morte. Um homem, de 34 anos, foi preso suspeito de ter cometido o crime.


As buscas por José de Almeida Pereira tiveram início nesta segunda-feira (20), em Presidente Epitácio (SP), após o registro do Boletim de Ocorrência na Delegacia da Polícia Civil. Quando deu o costumeiro horário de o taxista voltar para casa e ele não apareceu, a família começou a estranhar.


"A minha mãe disse que ele sempre vem almoçar por volta de 12h e 14h. Dado às 14h, a minha mãe percebeu que estava alguma coisa errada. Aí ela começou a ligar no celular dele, foi quando ela descobriu que estava desligado o celular. Não conseguia falar com ele. Imediatamente ela me informou. Nesse momento, a gente começou a ligar. Ligava, a todo momento a gente ligava. WhatsApp, celular, do telefone fixo também e nada de sucesso de a gente conseguir falar com ele", relembrou Lucivane.


Nesta terça-feira (21), após o almoço, foi quando a família soube que o carro da vítima havia sido localizado e que o bandido já tinha sido preso. No entanto, os parentes ainda não tinham sido informados sobre o paradeiro de José de Almeida Pereira. Depois disso, o suspeito confessou o crime e mostrou aos policiais onde havia enterrado a vítima.


"Ah, é muito difícil, viu. É lamentável. Não tenho nem palavras. O meu pai é querido por todos. Não é só na cidade, a família, todo mundo. Todo mundo que vem aqui, todo mundo chora, não é só família. Mas ele [bandido] vai pagar pelo que fez. Ele já está preso, já está em poder da polícia e agora vai para a cadeia. É o que a gente quer, que ele pague pelo que fez. Meu pai não merecia. Meu pai era um excelente homem, um excelente pai. Sem palavras", enfatizou a filha do taxista.


Maria José Pereira de Souza, que também é filha da vítima, contou que foram três dias de procura pelo pai e que esse período foi bastante angustiante para toda a família.


"Na segunda-feira [20], por volta de 15h, 16h, é que nós começamos a buscá-lo, tentar novamente contato, conversar com os outros taxistas da cidade, com as pessoas que têm contato com ele e a partir daí começou a nossa busca. Por volta das 18h, nós fizemos o boletim na delegacia, aí começaram as buscas da polícia. Mas nesses dias nós tínhamos esperança de que meu pai voltasse para casa. Nós nunca imaginávamos que seria essa situação", lamentou a filha.


Antes do crime, José de Almeida, que, conforme as filhas, gostava muito do Natal, havia dito que faria uma corrida e depois iria comprar roupas por conta da data.


"Ele falou para a minha mãe que ia fazer uma corrida e que depois ia comprar umas roupas para ele, porque é Natal, ele gosta muito, todas as festas típicas para ele são sagradas. E ele é o nosso arrimo de família, então, isso para ele tem muito valor. Ele é muito tradicional em relação a essas coisas", relembrou Maria José.


Por conta das condições do corpo, que ficou exposto ao sol por mais de 48 horas, não vai ser realizado o velório de José de Almeida, apenas o sepultamento.


"Nós entendemos que foi uma frieza, uma falta de empatia com o ser humano, nós perdemos o nosso pai. Só que a polícia está investigando, eles ainda não passaram esses dados, mas a gente entende que foi uma frieza, algo assim. Porque, após deixar o meu pai onde ele deixou, o bandido, ele ficou com o carro desfilando pela cidade, que foi até quando as pessoas entraram em contato com a família falando onde estava o carro", pontuou Maria José.


O caso


O corpo do taxista José de Almeida Pereira, de 77 anos, foi encontrado enterrado em Marabá Paulista (SP), nesta terça-feira (21). Segundo a Polícia Civil, ele foi vítima de latrocínio e um homem, de 34 anos, foi preso suspeito de ter cometido o crime.


Conforme a Polícia Civil, as investigações tiveram início nesta segunda-feira (20), depois do registro do desaparecimento da vítima. Ele foi visto pela última vez no ponto de táxi em que atuava, no Centro de Presidente Epitácio.


Imagens de câmeras de segurança mostraram o taxista sendo abordado por um homem que, supostamente, solicitou uma corrida.


Durante as investigações, os policiais conseguiram identificar o suposto passageiro, sendo um homem, de 34 anos, morador de Marabá Paulista (SP). Com ele, foram localizadas uma faca e as roupas compatíveis com as do rapaz que havia embarcado no táxi da vítima.


Na sequência, foi encontrado o táxi do idoso no distrito de Cuiabá Paulista, em Mirante do Paranapanema (SP), "com vestígios de sangue humano". Os vestígios foram coletados para a perícia técnica.


Ainda conforme a polícia, testemunhas afirmaram terem visto o rapaz com o táxi. Para uma delas, ele afirmou ter matado uma pessoa e chegou a tentar vender o veículo.


O corpo do idoso foi encontrado enterrado na área rural de Marabá Paulista (SP). De acordo com a Polícia Civil, a vítima levou uma facada no abdômen. A arma foi apreendida junto com as roupas do autor.


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