CPI da Covid: 10 elogios de Bolsonaro a Pazuello, que presta depoimento hoje


O ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello presta seu depoimento nesta quarta (19\5) à CPI da Covid , depois de ter conseguido na Justiça o direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo.


Pazuello é a testemunha mais aguardada para ser ouvida pela Comissão Parlamentar de Inquérito, que analisa possíveis omissões de autoridades no combate à pandemia.

Inicialmente convocado para depor há duas semanas, Pazuello não compareceu à data inicial alegando risco de covid por ter tido contato com outras pessoas infectadas pela doença.

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Seu depoimento foi então remarcado para esta quarta, o que deu tempo para o ex-ministro entrar na Justiça e pedir para que seu direito ao silêncio fosse garantido.

Com o governo Bolsonaro no alvo da CPI, o nome de Pazuello foi levantado como um possível culpado para falhas e omissões do governo e do presidente no combate à crise — em abril, o ex-secretário de Comunicação de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, deu uma entrevista à revista Veja e culpou Pazuello pela má administração da crise sanitária.

Na CPI no entanto, Wajngarten voltou atrás. Primeiro negou ter usado o termo incompetência e depois admitiu ter usado o termo, mas disse que se referia de maneira geral ao ministério da Saúde, e não pessoalmente ao ex-ministro.

O depoimento de Pazuello é central para entender se a recusa do governo em adquirir 70 milhões de vacinas oferecidas pela Pfizer no ano passado foi uma decisão do ministro ou do presidente Jair Bolsonaro.

Durante a CPI, o executivo da empresa Carlos Murillo confirmou a recusa por parte do governo e disse que a primeiras doses poderiam ter chegado ao Brasil em dezembro.

Com inúmeras evidências de que o governo poderia ter agido mais para evitar o cenário de mais de 400 mil mortes e o colapso no sistema de saúde, Pazuello se encontra em uma posição delicada. Se admite que a ordem veio de Bolsonaro, joga a culpa para o presidente. Se diz que a decisão foi sua, assume a responsabilidade.

Porém, a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) garantiu algum alívio ao ex-ministro: ele poderá não responder perguntas que possam incriminar a si mesmo. No entanto, ainda terá que responder sobre atitude de outras pessoas pessoas e emitir julgamentos.

De um jeito ou de outro, pode acabar não escapando de ser culpado pelas atitudes do governo dentro de uma narrativa de proteção de Bolsonaro.

À Veja, Wajngarten afirmou que o presidente "está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido. Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas", disse o ex-secretário.

A atuação de Pazuello, no entanto, sempre foi profusamente elogiada pelo presidente, que já havia demitido dois ministros da Saúde em meio à pandemia e manteve o general na pasta por dez meses.

Em eventos, conversas com o público, discursos, falas ao vivo e postagens em suas redes sociais, Bolsonaro disse que Pazuello fez um "brilhante trabalho" e chegou a chamá-lo de "predestinado" ao posto.

Pazuello assumiu o ministério como interino em maio de 2020 após a saída de Nelson Teich — nota oficial dizia que Teich decidiu sair, mas assessores afirmaram que ele foi demitido.

O general foi efetivado como ministro em setembro do ano passado e deixou a pasta em março, no auge da crise, em meio a críticas por sua atuação e investigação da Polícia Federal sobre sua conduta. Leia o que Bolsonaro falou sobre Pazuello nesses dez meses.