Ajeka insiste em abandonar CPI que apura os gastos com a Covid e a reunião ‘pega fogo’


Parte dos vereadores de Marília participou de uma reunião tensa, entre o final da tarde e o começo da noite desta quarta-feira (23), sobre o polêmico pedido de renúncia de Elio Ajeka (PP) da presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura os gastos da Covid-19 na cidade.

O encontro, segundo relatos obtidos pela reportagem, “pegou fogo”. O clima teria esquentado, inclusive com “ânimos alterados”, após a resistência de Ajeka em apresentar esclarecimentos sobre sua intenção de abandonar o colegiado.

Alimentando o mistério, o vereador do PP teria sustentando que se trata de uma decisão de foro pessoal, como já havia alegado anteriormente, e que os demais membros da CPI deveriam respeitá-la. Desta forma, ele teria insistido em seu pedido de renúncia.

Segundo o entendimento majoritário a respeito do regimento interno, entretanto, a renúncia da presidência da CPI não encontra amparo legal.


O Marília Notícia apurou que a tendência é de rejeição do pedido de Ajeka por parte do presidente da Câmara, vereador Marcos Rezende (PSD).

“Ele é vereador e tem que cumprir suas funções de fiscalizar”, disse um membro do Legislativo ouvido pela reportagem a respeito da postura de Ajeka, que também fala em apoio da família a respeito de sua decisão.

A equipe do MN também ouviu queixas sobre uma possível desmoralização tanto da CPI, quanto da Câmara em geral, com um eventual abandono de Ajeka. “Ele que quis abrir a CPI, ele que fez a documentação para ser protocolada e, agora, quer sair fora”, disse uma fonte.

Elio Ajeka foi procurado pela equipe de jornalismo para dar sua versão sobre o episódio, mas não houve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

A reportagem também apurou que apesar de Ajeka ter “lavado as mãos”, os outros dois membros da CPI continuam com os trabalhos de apuração, como a análise de documentos e informações prestadas pela Prefeitura. Enquanto o impasse não estiver resolvido, não devem ser realizadas novas oitivas.

ENTENDA

Desde o final de maio circulavam boatos a respeito da possibilidade de Ajeka pedir para deixar a presidência da CPI.

Ele sofreu desgastes após polêmica no final da oitiva do prefeito Daniel Alonso (PSDB), a única realizada até agora, no dia 21 de maio.

Aliados do chefe do Executivo acusaram o ex-assessor de Ajeka, advogado Davi Yoshida, de ter tentado praticar lobby na Secretaria da Saúde. Yoshida nega as acusações.

Queixa do assessor especial do governo, Alysson Alex, aponta suposta oferta indevida de máscaras, que teria sido feita pelo assessor político ao secretário municipal da Saúde, Cássio Luiz Pinto Júnior. A exoneração de Yoshida, que nega o caso, veio dias depois.

A CPI também enfrentou outros desafios internos até aqui, como a falta de consenso para contratação de empresas para auditoria em dados oficiais da Prefeitura.

Nos últimos dias Ajeka garantiu ao MN que sua decisão não tem relação com a exoneração de Yoshida e também alegou que não nutre nenhuma desavença com membros do Executivo – em especial com Alysson.